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Opini?es, perplexidades e inquietaç?es...

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José Luís Silva


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quinta-feira, outubro 30, 2003
 

Santa que chora


Em Anadia, a imagem de uma santa, que alegadamente verte "lágrimas" de cera, foi motivo para diversas romarias ao local, fazendo já soar a palavra milagre, naquilo que mais não parece do que uma grosseira mistificação.
Há alguns anos, um fenómeno similar ocorreu em Oleiros (Distrito de Castelo Branco), quando numa pequena capela a estátua de Nossa Senhora "chorava" lágrimas de sangue. Rapidamente se organizaram excursões ao local e toda aquela gente acreditava piamente no fenómeno, mesmo aqueles que pelo seu grau de instrução deveriam ter uma atitude mais crítica relativamente ao assunto.
Fiquei impressionado com a rapidez e facilidade com que um fenómeno destes se propaga. A sua mais que inverosimilhança não suscita qualquer reserva ou atitude crítica. Pelo contrário, perante todas as evidências de fraude, muitos persistiam arreigados à sua crença, projectando certamente os seus desejos de ter o privilégio de assistir directamente a um milagre.
A história teve o fim que se conhece. Provou-se que era uma criança que pintalgava o rosto, durante a noite, com sangue de pomba, a mando do responsável de uma pequena instituição que acolhia crianças abandonadas ou provenientes de famílias desagregadas. Todas as pessoas da terra desejavam que aquilo fosse verdade, pois Oleiros era, e é, um concelho pobre e esquecido, que figura no mapa apenas na altura dos incêndios. Muitos ficaram a saber da localização de Oleiros nessa altura.
Relativamente ao facto recente na Anadia, destaco as palavras do único padre que presenciou o evento: "Estive a olhar, mas não vi nada, apesar de ser um bocado cegueta". "Dizer é uma coisa e ver é outra, mas outra é ainda fingirmos que vemos."




segunda-feira, outubro 27, 2003
 
Praxes académicas

Parte da intervenção de Pacheco Pereira, ontem, na SIC, teve como assunto as praxes académicas, que reinam agora por tudo quanto é Universidade e Escola Superior.
Subscrevo integralmente a repulsa que Pacheco Pereira manifestou por estas práticas. A coberto daquilo que julgam ser a tradição, ou, mais eufemisticamente, uma forma de integrar (aclimatar) os caloiros nas lides académicas, revelam toda uma baixeza de carácter, um gosto mórbido pela humilhação, ainda que travestida de diversão.
Foi interessante ver a jornalista, jovem e certamente com uma vivência não muito distante daquilo que estava a ser mostrado, a revelar alguma incompreensão pela indignação do deputado.
Aqueles que não se indignam consideram natural tudo isto, muito divertido. Depois tentam articular alguma frase pomposa mas estereotipada para dar alguma decência ao assunto, do género: "É um ritual de passagem!"
É tudo tão parolo, tão sem nível, tão revelador da pobreza intelectual de grande parte dos nossos universitários... Que tristeza!
Se assim é a este nível, como nos poderemos admirar das manifestações do género que assistimos na "catedral" da Luz, com direito a 12 horas de emissão televisiva. É Portugal no seu melhor...




quarta-feira, outubro 22, 2003
 
Demissões 2

Não percebo como é que ninguém se lembrou ainda de pedir a demissão de Bagão Felix por causa da menina morta pelo pai e madrasta em Valongo. Afinal, a Segurança Social também tem responsabilidades no caso por ser um dos elementos decisores na entrega da criança ao pai. Como o Ministério de Bagão tutela a segurança Social, e no actual clima de fundamentalismo pela responsabilidade política dos governantes, eu não apostava que o Ministro da Segurança Social chegasse até hoje em funções. Estou admirado!

José Luis Silva




 
Demissões 1

O advogado de Bibi no processo da Casa Pia pediu hoje a demissão de José Miguel Judice, o Bastonário da Ordem dos advogados. Criticou também o discurso de ontem de Jorge Sampaio sobre o momento actual da Justiça e da Informação. Assim, o Presidente "safou-se" para já de um pedido de demissão. Veremos se por muito tempo.

José Luis Silva




 
Manuela Moura Guedes

Há meses que não via o noticiário da noite da TVI. Não suporto o estilo de notícia com opinião do canal e muito menos a linha editorial de voyeurismo jornalístico que o 4º canal adoptou desde o princípio e que tão bons resultados lhe tem trazido, infelizmente. E, acima de tudo, não conseguia ver até ao fim os noticiários apresentados por Manuela Moura Guedes, esse expoente máximo do jornalismo "pimba". Ontem, por mero acaso, vi. Por sorte foi também noite de comentários de Miguel Sousa Tavares, que aliás nunca percebi como era capaz de aguentar o estilo de Guedes, que "fazia a festa, lançava os foguetes e apanhava as canas". Pois bem, ontem Sousa Tavares não aguentou e embora não tivesse perdido a calma nem a capacidade de raciocínio, pôs a apresentadora no seu lugar e ameaçou até calar-se ou sair se ela insistisse em contrariar ou interromper os seus raciocínios. Acusou também os jornalistas de posições demagógicas e de se aproveitarem ao máximo das fraquezas do nosso sistema jurídico. Parabéns Miguel! Até que enfim!

No barómetro do Jornal de Notícias de hoje, a TVI e Manuela Moura Guedes aparecem em baixa, por terem claramente uma posição definida sobre o processo Casa Pia. Para o JN isto é o fim da isenção jornalística da TVI. Estou completamente de acordo.

José Luis Silva




terça-feira, outubro 21, 2003
 
O PS a ferros

A imagem que me sugere este PS, é a de um partido acabrunhado, agrilhoado, a quem cai o céu em cima cada vez que se tenta levantar.
Concordo com o José Luís, na análise que teceu no 'post' anterior. As revelações que têm vindo a lume de forma metódica e assassina, não mostram outra coisa, embora desconfie que a vontade de assassinato político não parta originariamente da SIC.
O que mais me chocou nestas revelações, não foi a violação descarada do segredo de justiça, mas a violação de uma conversa privada, como aliás, hoje, bem se pronunciou Vital Moreira.
No entanto, convenhamos que o PS, na acção dos seus dirigentes, se colocou a jeito para que tudo isto lhe acontecesse. Primeiro porque foi obreiro do actual sistema de justiça, depois porque não resistiu a mexer as suas influências quando se viu apertado. Finalmente, após aquela encenação apoteótica da libertação de Paulo Pedroso, que erroneamente julgaram ser redentora de todos os pecadilhos passados, seria de esperar as pequenas 'vingançazinhas' a que temos assistido.





segunda-feira, outubro 20, 2003
 
A SIC

Orgulho-me de ser intelectualmente independente. No entanto, já aqui tive posições que alguns certamente julgaram ser de uma pessoa de "direita". Por isso me sinto perfeitamente à vontade para dizer isto: a SIC decidiu que Ferro Rodrigues tem que se demitir e está indubitavelmente a fazer campanha nesse sentido. É claramente esta a posição do canal televisivo. Ora, eu acho isto inadmissível. Quem tem que decidir se os políticos devem ou não continuar são os órgãos próprios que os elegeram e no expoente máximo, os eleitores. Os jornalistas têm que apresentar factos mas não podem misturar esses factos com as suas opiniões.

Aliás já há alguns meses que a SIC resolveu adoptar o estilo da TVI, ou seja, dar notícias com opinião. Os textos dos noticiários, não se limitam a apresentar os factos mas terminam com comentários jocosos ou cínicos, bem como com opiniões descaradas. É pena, porque cada vez se faz menos notícia e cada vez mais se faz opinião. Eu, como espectador, quero conhecer os factos, com o máximo de objectividade possível, para depois formar a minha opinião. É claro que é perfeitamente legítimo que existam comentadores convidados nos noticiários, que não dão as notícias mas as comentam. Isso são opiniões com assinatura, com que cada um de nós é livre de concordar ou não. Mas não é a isso que me refiro. O que eu acho grave é que se misture opinião editorial com a própria transmissão da notícia. Receio que aos jornalistas lhe começa a subir a importância à cabeça e o pior é que também não se vê poder que os controle. Não é "politicamente correcto" dizer isto mas que é verdade, lá isso é.

José Luís Silva





domingo, outubro 19, 2003
 
DN Online

O que se passa com o DN Online?




quinta-feira, outubro 16, 2003
 
Milho híbrido

É interessantíssimo aquilo que podemos aprender com os nossos colegas, quando a conversa, por um estranho acaso, resvala para terrenos inusitados.
Aqui há dias o cultivo do milho veio a propósito de qualquer coisa, que já não recordo.
Fiquei a saber que os nossos agricultores já não se 'atrevem' a cultivar milho tradicional. Este é demasiado sensível às intempéries e, como tal, pouco rentável.
Então compram (caríssima) a semente do que designam milho híbrido. Este milho dá abundantes colheitas, mesmo com condições adversas.
Na minha santa ignorância perguntei porque razão compravam a semente, pois bastava guardar uma parte daquilo que colhiam para semear novamente.
Riram-se da minha ingenuidade, explicando-me que o milho que se colhe, se for lançado à terra, já não produz quase nada. Aliás, garantem-me que o milho que colhem já não é igual àquele que semearam.
Desconfiado de tamanha reviravolta, ainda perguntei se era com aquele milho que faziam as broas (de milho) à venda nas padarias (usual aqui no Minho).
A resposta continuou surpreendente!? Que não sabiam, pois ninguém lhes compra o milho. O que cultivam é usado essencialmente para alimentação animal. As padarias importam farinha de milho (da Argentina e outros países) e é com esse que fazem o pão. Garantem que o pão agora, mesmo nas suas casas, é muito diferente em termos de cor, textura e sabor daquele pão de milho de há alguns anos atrás.
Lembrei-me então de uma conferência que assisti do Prof. Doutor Jorge Paiva, em que ele falou da biodiversidade, dos perigos da industrialização da agricultura, no estreitamento da diversidade de espécies vegetais que entram actualmente na alimentação humana (se pedirmos uma salada, ela é igual em Lisboa, Madrid, Moscovo, etc - alface, tomate e cebola). Para ilustrar a sua palestra levou diversas espigas de milho, de vários tamanhos, várias cores e formas (semelhante ao que temos na foto) e depois projectou alguns diapositivos de diversos campos de milho na actualidade (em Portugal e no mundo), em que estes eram todos iguais, tendo-se acabado com a grande diversidade que existia, só nesta espécie vegetal.
Normalmente não alinho em histerias de carácter ecológico, mas isto deu-me que pensar.




segunda-feira, outubro 13, 2003
 
Ana Gomes

Já aqui referimos que Ana Gomes padece de alguma incontinência verbal e é um péssimo exemplo no que à ataraxia diz respeito. Mais uma vez a sua língua soltou-se e lançou no ar algumas questões embaraçosas.
No entanto, a indignação que muitos se apressaram a manifestar perante tais questões soa-me a hipocrisia, tão lamentável quanto o desbragamento das afirmações.
Gostaria de saber quantos não colocaram interiormente as questões que Ana Gomes colocou, quando souberam do teor do artigo da revista "Le Point".




quinta-feira, outubro 09, 2003
 
Ataraxia

Se bem que rejubile, pela libertação de Paulo Pedroso, porque nunca ficaram claros os fundamentos que levaram à necessidade da sua prisão preventiva, todavia tenho alguma relutância em aceitar todo o circo mediático e o consequente aproveitamento político que resultou da sua libertação.
Tenho mesmo sérias dúvidas se Paulo Pedroso, a quem agora não faltam amigos, deveria retomar a sua actividade de deputado, como parece ser o seu desejo.
A sua libertação não implica a sua inocência, como disse no 'post' anterior. Nem significa sequer que deixou de ser suspeito de prática de um crime absolutamente condenável.
Como tal, recomenda-se alguma ataraxia. É esta ataraxia - serenidade de alma ou calma de espírito - que faz falta ao nosso povo, que tem tendência a viver todos os acontecimentos de forma demasiado efusiva.




quarta-feira, outubro 08, 2003
 
Paulo Pedroso libertado!

Na altura manifestei aqui a minha estranheza pela forma como Paulo Pedroso foi parar à prisão. Estranhei os pressupostos e fundamentos que vieram a lume para justificar a sua prisão preventiva, alguns tão caricatos que nem dava para acreditar que poderiam estar na base da sua prisão.
Por muito que a populaça, neste clima justicialista, venha a afirmar que os políticos estão novamente a escapar à justiça, é com satisfação que vejo esta decisão do Tribunal da Relação, depois de todos os atropelos processuais a que estávamos a assistir.
Esta libertação, como é evidente, não prova a sua inocência. No entanto, é um sinal que tudo estava a ser feito com alguma ligeireza e até irresponsabilidade, contrariando aquela ideia de crença cega na justiça, que parecia bastar a todos, para justificar a privação da liberdade de um qualquer cidadão.
De parabéns está também Celso Cruzeiro, o seu advogado de defesa. Comedido e eficaz, está a dar uma imagem muito positiva da sua classe profissional, bem longe dos tristes exemplos dados por outros.





terça-feira, outubro 07, 2003
 
Não pagamos! (II)

A propósito do último 'post' do José Luís, recordo-me do quanto me impressionaram os debates na RUM (Rádio Universitária do Minho) para a Associação Académica, aqui há um ou dois anos atrás.
Nestes debates, não se discutiam problemas de ordem pedagógica, nem sequer das propinas... O grande dilema, aquilo que atormentava as almas e o espírito académico destes estudantes, eram os lugares de estacionamento disponíveis para os seus carros!





 
Não pagamos!

Enquanto houver engarrafamentos na entrada das Universidades, pela quantidade de estudantes que se deslocam de carro para as aulas; enquanto houver o negócio das festas académicas, com a multiplicação de "queimódromos" e afins; enquanto a "Super-Bock" e a Sagres se digladiarem para poderem patrocinar as festas universitárias; e enquanto os estudantes universitários forem um dos mercados mais apetecíveis para vários produtos, desde o imobiliário até ás bebidas, passando pelos telemóveis e informática, então não há qualquer ponta de justiça na luta dos estudantes universitários contra o pagamento de propinas, nem que seja só pelo estabelecimento do valor mínimo.

José Luis Silva





 
Demissões

Mesmo mantendo a minha opinião de que não é aceitável que os governantes se demitam por qualquer motivo, tenho que reconhecer que, perante as actuais circunstâncias e opinião pública, seria quase impossível que Pedro Lynce e Martins da Cruz tivessem condições para continuar a governar. Assim, esta era a única saída.

José Luis Silva





segunda-feira, outubro 06, 2003
 
As responsabilidades

Há algum tempo que eu tinha esta dúvida: seria eu o único a pensar assim? Não via em mais lado nenhum ninguém expressar a mesma opinião e por isso julgava-me só. Talvez também por isso tinha tido até agora alguma "vergonha" em assumir publicamente esta minha opinião. Este fim-de-semana, José António Saraiva, director do Expresso, comentou de forma desfavorável as constantes demissões que agora, por qualquer motivo, se julga ser a saída correcta para resolver erros cometidos pelos governantes.

Como diz Saraiva, "todas as semanas, por isto ou por aquilo, se pede a demissão de um ministro". E estou também inteiramente de acordo com a sua conclusão: "O poder não se reforça cedendo às pressões dos jornais, das rádios e das televisões. Com precipitações como esta (demissão de Pedro Lynce), facilmente o poder cairá na rua".

Finalmente alguém exprime o que eu pensava. Afinal não estou só.

José Luis Silva





sexta-feira, outubro 03, 2003
 
Apreensão

Quando Manuel Alegre num desabafo afirmou, a grosso modo, que isto agora ainda é pior do que antes do 25 de Abril, toda a gente se escandalizou. Há coisas que não se relativizam e não se pode comparar um regime democrático com o regime ditatorial anterior ao 25 de Abril de 1974.
No entanto, esta afirmação, se bem que superlativa, não me choca. E concordo com aqueles, como Vicente Jorge Silva, que defendem que a "Democracia já não é o que era".
Sinto-me apreensivo com o furor justicialista que trepa pelas garantias processuais mais básicas de um estado de direito. Que seja preciso um Presidente da República e um Tribunal Constitucional chamar a atenção para princípios básicos, que qualquer estudante de Direito devia adquirir, sob pena de reprovação, no primeiro ano dos seus estudos.
Depois, o papel da comunicação social (especialmente a televisiva) tem sido do mais abjecto que eu alguma vez poderia imaginar possível. As televisões apostam na devassa, no incêndio das turbas como uma forma natural de fazer aquilo a que de forma equivoca e até atentatória chamam de jornalismo. Na televisão assiste-se, em tamanho gigantesco e de uma perversidade cada vez mais ilimitada, às opiniões das conversas de café e dos seus disparates, mas sem a inconsequência que estas conversas tinham quando se limitavam aos cafés.






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